´´Observe as tendências mas não Siga a maioria`` Thiago Prado


http://www.speedtest.net
http://geotool.servehttp.com/


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Conhecimento que impõe respeito

Vasconcelo Quadros e Leandro Mazzini, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Especialista em estratégia militar e ex-ministro Alberto Mendes Cardoso, ex-chefe da Casa Militar e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Fernando Henrique Cardoso, confirmou ontem que o Brasil já domina o conhecimento e, se quisesse, poderia dirigir a tecnologia à construção da bomba nuclear.

– O país sabe como fazer, mas há fatores que impedem – admitiu o militar, que lembrou o fato de que o Brasil, além de processar urânio apenas para fins pacíficos, tem compromisso expresso na Constituição para não desenvolver armas atômicas e está submetido aos tratados internacionais de não proliferação de armas nucleares.

Uma das maiores autoridades do país em energia nuclear, com 35 anos de atividade no setor, o professor do Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército, Rex Nazaré Alves, também confirma, conforme noticiou o Jornal do Brasil no domingo, que o país já domina o conhecimento e a tecnologia necessária para a fabricação da bomba. Ele diz que se o país tivesse interesse, desenvolveria a bomba atômica porque já atingiu um padrão de conhecimento.

– O Brasil cumpre seus compromissos internacionais – ressaltou Alves, que foi assessor especial do Ministério da Ciência e Tecnologia, do GSI e atualmente dirige o departamento de Tecnologia da Fundação ao Amparo à Pesquisa do Estado do Rio. Alves não é favorável à bomba, mas diz que o Brasil deve desenvolver e dominar toda a cadeia do conhecimento. – O respeito surge quando a outra parte se faz respeitar. Um dos princípios é o desenvolvimento. Tem que dominar a tecnologia nuclear e todas as outras, senão não é desenvolvimento. Desse ponto de vista temos todo o conhecimento.

Alves também lembra que o Brasil é fiel à Constituição e aos tratados e que se optasse por construir a bomba, acabaria com a paz no continente Sul Americano.

– Não é necessário ter a bomba. O importante é ter as condições para fabricar – completa o general Cardoso. A posição do ex-ministro de FHC e de Alves coincidem com as descobertas do físico Dalton Girão Ellery Barroso, do IME, sobre o avanço da pesquisa brasileira para o domínio do conhecimento sobre a bomba atômica.

No livro A Física dos Explosivos Nucleares, onde publica a maior parte de sua tese de doutorado no IME, Barroso mostra cálculos e equações em que desvendou a figura de uma ogiva nuclear americana, a W-87, cujo modelo original era mantido em segredo. O que se sabia, até então, eram as dimensões externas da ogiva. Barroso foi ao interior da figura. Chegou a resultados aceitáveis pela comunidade científica usando um sistema de cálculos computacionais que ele mesmo criou para fazer o cruzamento de modelos físicos e matemáticos conhecidos. No final, acertou até a potência do artefato, que tem 300 quilotons.

As conclusões provocaram uma reação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), entidade que fiscaliza os programas nucleares no mundo, que tentou retirar de circulação o livro com a tese Simulação Numérica de Detonações termonucleares em Meios Híbridos de Fissão-Fusão Implodidos pela Radiação. O caso provocou um conflito de posições entre os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. Jobim refutou as suspeitas de que o Brasil pudesse estar fazendo experimentos nucleares e garantiu o trabalho do físico brasileiro. Senadores da Comissão de Relações Exteriores e Defesa pretendem convocar Jobim, Amorim e outras autoridades militares para explicar o caso no Congresso.

23:17 - 07/09/2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

EUA dominam 68% do mercado de armas

País lucrou US$37,8 bilhões em vendas em 2008, tendo como principais clientes nações em desenvolvimento

Thom Shanker

NOVA YORK. Apesar da recessão que deu um golpe no mercado bélico global ano passado, os Estados Unidos expandiram seu papel como líder no fornecimento de armamentos, aumentando sua fatia no mercado em mais de dois terços de todos os negócios internacionais, conforme novo estudo do Congresso. O país assinou acordos no valor de US$37,8 bilhões em 2008, ou 68,4% de todos os negócios do mercado global de armas, um aumento bastante significante em relação às vendas do ano anterior, que somaram US$25,4 bilhões.

A Itália ficou num distante segundo lugar, com US$3,7 bilhões em 2008 enquanto a Rússia se posicionou em terceiro, fechando o ano com US$3,5 bilhões - uma queda considerável em comparação a 2007, quando Moscou fechou acordos no valor de US$10,8 bilhões.

O crescimento na venda de armamentos pelos Estados Unidos ano passado foi particularmente notável em oposição à tendência mundial. Em 2008, o valor total de venda de armas em todo o mundo foi de US$55,2 bilhões, o que representa uma queda de 7,6% em relação a 2007.

Essa ampliação dos negócios americanos "foi atribuída não somente às novas grandes encomendas de clientes no Oriente Médio e na Ásia, mas também à manutenção de equipamentos e aos contratos de serviços de apoio com um número amplo de clientes dos Estados Unidos globalmente", de acordo com o estudo, intitulado "Transferência de armamento convencional para países em desenvolvimento".

Lucro extraordinário em tempos de crise

O relatório anual foi produzido pelo Serviço de Pesquisa do Congresso e foi considerado a mais detalhada coleta de dados de vendas globais de armas não classificadas disponíveis para o público.

O declínio no mercado de armamentos em 2008 pode ser explicado pela relutância de muitas nações em fazer novas encomendas de armas "diante da severa recessão internacional", escreveu Richard F. Grimmett, especialista em segurança internacional e principal autor do estudo.

O relatório de Grimmett considera o aumento nas vendas pelos Estados Unidos "extraordinário" em tempos de crise. Nesse mercado altamente competitivo, países buscam lucro e influência política por meio das vendas de armamentos, em particular para as nações em desenvolvimento.

A venda de armas para países em desenvolvimento alcançou um volume de US$42,2 bilhões em 2008, apenas uma expansão simbólica em comparação aos US$41,1 bilhões de 2007.

Os Estados Unidos são o líder não apenas na venda de armas globalmente, mas também especificamente para nações em desenvolvimento, assinando US$29,6 bilhões em acordos com estes países, ou 70,1% dos negócios feitos com esse grupo. O estudo mostra que os contratos fechados pelos Estados Unidos no passado incluem US$6,5 bilhões em defesa aérea para os Emirados Árabes, US$2,1 bilhões em jatos militares para o Marrocos e US$2 bilhões em helicópteros para Taiwan. Entre os principais clientes estão Índia, Iraque, Arábia Saudita, Egito, Coreia do Sul e Brasil.

A Rússia ficou em segundo lugar nessa categoria em 2008, com US$3,3 bilhões em vendas para países em desenvolvimento, cerca de 7,8% desses acordos. O relatório aponta que apesar de Moscou continuar a ter China e Índia como seus principais clientes, o novo foco russo é a América Latina, especialmente a Venezuela. A França ficou em terceiro, com US$2,5 bilhões, ou 5,9% desse mercado.

O principal comprador de armas em 2008 entre as nações em desenvolvimento foram os Emirados Árabes (US$9,7 bilhões), seguido da Arábia Saudita (US$8,7 bilhões) e do Marrocos (US$5,4 bilhões).